Detalhes de um Ataque Brutal em Kasuwan Daji
Pastor Ishaya Bamayi: Alvo da Violência e o Luto da Família
Pastor Ishaya Bamayi: Alvo da Violência e o Luto da Família
A lista de mais de cinquenta vítimas fatais do ataque ao mercado de Kasuwan Daji inclui uma figura que foi especificamente visada pelos agressores: o Pastor Ishaya Bamayi. Relatos de testemunhas oculares indicam que, no momento em que o caos se instalou com o início do tiroteio, o líder religioso tentou, como muitos outros, buscar segurança. Contudo, sua identidade como pastor foi rapidamente reconhecida pelos criminosos, que prontamente o perseguiram.
Moradores da vila, que preferiram manter o anonimato devido ao temor de retaliações, confirmaram a perseguição direcionada. Segundo eles, Pastor Bamayi foi singularmente caçado pelos agressores e impedido de escapar da cena do ataque. Este direcionamento específico sublinha uma dimensão particularmente sombria da violência, onde líderes religiosos se tornam alvos prioritários em meio a um cenário de instabilidade.
A brutalidade do assassinato deixou um rastro de profunda dor e desolação. Pastor Ishaya Bamayi era o provedor e pilar de uma família, deixando para trás sua esposa e cinco filhos. O impacto da notícia de sua morte foi devastador para sua esposa, que, conforme relatos, sofreu um colapso e permanece em estado delicado de saúde, imersa em um luto avassalador pela perda de seu marido e pai de seus filhos.
Alertas Ignorados e a Resposta das Autoridades Locais
A Escalada da Insegurança na Região Central da Nigéria
O ataque brutal ao mercado de rua em Kasuwan Daji é um triste reflexo da crescente onda de violência que tem assolado a região central da Nigéria. Esta área, em particular o estado de Níger, tem testemunhado um aumento alarmante de atividades criminosas e insurgentes nos últimos anos, caracterizadas por sequestros em massa, incursões a vilarejos e ataques direcionados a locais de comércio e instituições de ensino.
Os grupos responsáveis por essa escalada são diversificados, incluindo bandidos armados, pastores militantes de origem Fulani e facções ligadas a organizações terroristas como o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP). Seus métodos frequentemente envolvem a pilhagem de propriedades, incêndios de estabelecimentos comerciais e o sequestro de civis para obtenção de resgate, desestabilizando não apenas a segurança, mas também a economia local, vital para agricultores e comerciantes que dependem das feiras semanais para sua subsistência.
A resposta das autoridades de segurança tem sido objeto de críticas, com moradores frequentemente reportando falhas na prevenção, mesmo após a emissão de alertas sobre a movimentação de grupos armados. Embora o Comando da Polícia do Estado de Níger tenha confirmado a implementação de operações conjuntas, que envolvem a polícia, as forças armadas e outras agências, para capturar os agressores e resgatar as vítimas de sequestro, a sensação de impunidade persiste entre as comunidades afetadas.
Este cenário de insegurança é intensificado pela dimensão religiosa, colocando a Nigéria como um dos ambientes mais hostis para a prática da fé cristã em nível global. Relatórios da Sociedade Internacional para as Liberdades Civis e o Estado de Direito (Intersociety) apontam para um número assustador de 7.800 cristãos detidos ou sequestrados por motivos de fé, e mais de 7.000 assassinados por extremistas islâmicos e terroristas Fulani entre janeiro e agosto de 2025. Complementarmente, a Missão Portas Abertas revelou que, em 2024, aproximadamente 3.100 das 4.476 mortes de cristãos ocorridas globalmente em razão de sua fé tiveram lugar na Nigéria, evidenciando a intensidade da perseguição e o aguçamento dos conflitos sectários.