Mais de cinquenta pessoas perderam a vida, entre elas o pastor Ishaya Bamayi, durante um ataque violento perpetrado por indivíduos armados contra um mercado de rua na vila de Kasuwan Daji, estado de Níger, na Nigéria, no último sábado (3). O incidente, que se desenrolou em meio a um cenário de crescente instabilidade e violência na região, evidencia a fragilidade da segurança local e o risco enfrentado por comunidades e líderes religiosos.
Segundo relatos da International Christian Concern (ICC), uma organização dedicada à defesa de cristãos perseguidos, os agressores chegaram ao local em motocicletas, desferindo tiros indiscriminadamente contra comerciantes e clientes. Testemunhas descreveram um cenário de pânico e desordem, com indivíduos correndo em busca de abrigo; muitos foram alvejados ou sequestrados durante a fuga. O pastor Bamayi, após ser identificado pelos criminosos em meio ao caos, foi implacavelmente perseguido e executado, deixando esposa e cinco filhos.
A Crise de Segurança e a Resposta Oficial
O brutal assalto ao mercado reflete uma escalada de insegurança que tem assolado o estado de Níger. Residentes locais afirmaram ter emitido alertas sobre a presença de grupos armados na área dias antes do ataque, mas, lamentavelmente, nenhuma medida preventiva foi tomada pelas autoridades, que não teriam enviado efetivo policial para a proteção da comunidade. Além das mortes, os criminosos saquearam e incendiaram estabelecimentos comerciais, e continuaram a perseguir e sequestrar pessoas que tentavam escapar para áreas rurais, muitas delas fugindo para terras agrícolas.
Em resposta aos eventos, um porta-voz do Comando da Polícia do Estado de Níger informou que uma operação de segurança conjunta, envolvendo forças policiais, militares e outras agências, está em curso. O objetivo é capturar os responsáveis pelo massacre e resgatar os civis sequestrados. No entanto, o medo persiste entre agricultores e comerciantes, cuja subsistência depende crucialmente dos mercados semanais, agora transformados em alvos potenciais em uma onda de violência que tem devastado a região nos últimos anos, com sequestros em massa e ataques a vilarejos e escolas.
Nigéria: Um Palco de Violência e Perseguição Religiosa
A Nigéria tem sido consistentemente classificada como um dos países mais perigosos para a prática do cristianismo no mundo. Dados recentes de organizações de direitos humanos e monitoramento religioso corroboram essa realidade alarmante. Um levantamento da Sociedade Internacional para Liberdades Civis e Estado de Direito (Intersociety) apontou que, em um período recente, milhares de cristãos foram detidos ou sequestrados por motivos relacionados à sua fé, enquanto mais de sete mil teriam sido assassinados por extremistas islâmicos e grupos terroristas Fulani.
O Crescimento dos Ataques e o Impacto Humanitário
A Missão Portas Abertas, em seu relatório de 2024, revelou que, das 4.476 mortes de cristãos registradas globalmente por sua fé naquele ano, uma esmagadora maioria — cerca de 3.100 casos — ocorreu na Nigéria. O país ocupa a 7ª posição na Lista Mundial da Perseguição da Portas Abertas, que classifica os 50 países onde é mais difícil ser cristão. A violência é impulsionada por grupos como o Boko Haram, a Província do Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP) e milícias Fulani, cujos ataques a vilarejos, escolas e centros comerciais, juntamente com sequestros para resgate, têm se intensificado de forma alarmante, mergulhando a nação em uma profunda crise humanitária e de segurança.