Um recente levantamento do renomado Pew Research Center revela uma contínua e acentuada retração do catolicismo na América Latina ao longo da última década. Paralelamente, a pesquisa aponta para um crescimento notável do número de pessoas que se declaram "religiosamente não afiliadas", ou seja, sem ligação com qualquer denominação religiosa específica. O estudo, conduzido em 2024 e divulgado nesta quarta-feira (21), analisou as tendências religiosas em seis nações-chave da região: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.
A investigação constatou uma diminuição no percentual de católicos em todos os países avaliados. A queda mais expressiva foi observada na Colômbia, onde a proporção de adultos católicos despencou de 79% na pesquisa anterior (2013-2014) para 60% em 2024. Mesmo no Peru, que registrou a menor redução entre os países analisados, houve um declínio de 9 pontos percentuais, passando de 76% para 67% no mesmo período.
Ascensão dos 'Não Afiliados' Impulsiona Novas Dinâmicas
Enquanto a Igreja Católica perde adeptos, o contingente dos "religiosamente não afiliados" praticamente dobrou ou até mais que isso em todos os países incluídos no estudo. Este grupo representa aqueles que não se identificam com nenhuma religião organizada, mas podem possuir crenças espirituais. No Brasil, por exemplo, a parcela de não afiliados subiu de 8% para 15% da população adulta. O Peru viu esse percentual triplicar, passando de 4% para 12% em dez anos.
Os maiores avanços percentuais deste grupo foram registrados no Chile e na Colômbia. No Chile, um terço da população adulta (33%) declarou-se sem filiação religiosa em 2024, um salto significativo em relação aos 16% de uma década antes. A Colômbia seguiu uma tendência similar, com 23% dos adultos se declarando sem religião em 2024, contra apenas 6% na pesquisa anterior, demonstrando uma mudança cultural profunda na relação com a religiosidade formal.
Estabilidade Protestante e Recuo Pentecostal Interno
Apesar da estabilidade geral do número total de protestantes na maioria dos países analisados, o estudo identifica uma mudança interna significativa: a proporção de protestantes que se identificam especificamente como pentecostais tem diminuído. No Brasil, onde os protestantes correspondem a 29% da população adulta, a identificação pentecostal dentro deste grupo caiu de 80% para 65%. Na Argentina, essa redução foi de 71% para 54% entre os protestantes. Reduções menores e estatisticamente não significativas também foram notadas em Chile, Peru e Colômbia.
Diferenças na Frequência de Práticas Religiosas
A pesquisa também lançou luz sobre os padrões de frequência à cultos e missas. Os protestantes latino-americanos demonstram maior assiduidade semanal. No Brasil e na Colômbia, cerca de 69% e 68% dos protestantes, respectivamente, afirmaram frequentar serviços semanalmente. Estes índices superam os registrados entre os católicos, que no Brasil apresentam 36% de frequência semanal e na Colômbia, 40%.
Entre os católicos, a frequência semanal é particularmente baixa em alguns países. No Chile, apenas 8% dos católicos comparecem à igreja toda semana, e na Argentina, esse número é de 12%. No México, a taxa é mais alta entre católicos, atingindo 41%.
Crescimento de Crenças Alternativas e Reencarnação
O levantamento também explorou crenças não ligadas diretamente ao cristianismo predominante. A crença na reencarnação, definida como a ideia de renascer repetidamente neste mundo, registrou crescimento expressivo. Em países como Argentina, Colômbia e Peru, aproximadamente 42% dos adultos afirmaram acreditar na reencarnação. Curiosamente, quase metade dos católicos nessas nações (entre 48% e 50%) também compartilha essa crença, indicando uma hibridização de fés e espiritualidades.
Além disso, a pesquisa mencionou a investigação de crenças associadas a religiões de matriz africana, como candomblé, santería e umbanda, bem como tradições religiosas de origem indígena, embora dados específicos sobre sua prevalência não tenham sido detalhados na parte divulgada do estudo, apenas a crença na reencarnação.