Um incidente em Los Angeles, Califórnia, capturado em vídeo e amplamente divulgado nas redes sociais, revelou a modificação não autorizada de um painel publicitário que provocou intensas discussões sobre liberdade de expressão religiosa, doutrina teológica e os limites da legalidade. Um indivíduo, ainda não identificado, alterou um outdoor que veiculava a mensagem “Jesus is Not God” (Jesus Não é Deus), cobrindo a palavra “Not”, transformando a afirmação em uma declaração de defesa da divindade de Cristo.
As imagens mostram o homem escalando a estrutura publicitária, com o horizonte urbano de Los Angeles ao fundo, para aplicar tinta sobre o termo negacionista. A intervenção resultou na frase “The Bible says … Jesus is ___ God”, interpretada como uma explícita reafirmação da natureza divina de Jesus. O painel original havia sido alvo de críticas por parte de diversas comunidades cristãs, que a consideravam uma manifestação herética.
Origem da Mensagem Original e Repercussões
A campanha publicitária inicial foi lançada pelo grupo World’s Last Chance (WLC), uma organização conhecida por promover visões que se contrapõem a pilares da doutrina cristã tradicional. Em seu portal oficial, o WLC expressa objeções a crenças amplamente aceitas, como a Santíssima Trindade e a pré-existência de Jesus no céu, e já endossou teorias heterodoxas, incluindo o conceito de Terra plana. Tais posicionamentos divergem acentuadamente da teologia majoritária e são frequentemente qualificados como heterodoxos pela vasta maioria das denominações cristãs globalmente.
A viralização do vídeo suscitou um debate acalorado entre internautas e fiéis. Para uma parcela significativa do público, o ato de alterar o outdoor representa uma manifestação de fé e uma tentativa de corrigir uma mensagem teológica considerada errônea. Em contrapartida, outros questionaram a eticidade e a legalidade da modificação de propriedade privada sem permissão, levantando a complexa questão dos limites entre a expressão religiosa e atos que podem ser configurados como vandalismo.
Ray Comfort, autor e fundador da organização cristã Living Waters, publicamente manifestou preocupação com a proliferação de outdoors que contestam a divindade de Cristo. Ele enfatizou que essa doutrina é central para a fé cristã trinitária, argumentando que tais declarações contradizem ensinamentos bíblicos que descrevem Jesus como “a imagem do Deus invisível”.
A Doutrina da Trindade e o Contexto Histórico de Niceia
A fé cristã trinitária, que forma a base da maioria das tradições cristãs em todo o mundo, postula que Deus é uma única entidade que existe eternamente em três pessoas distintas e co-iguais: o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. Essa compreensão da natureza divina é um pilar teológico indispensável para bilhões de fiéis.
Historicamente, a questão da divindade de Jesus foi um ponto crucial de intensa discussão nos primeiros séculos do Cristianismo. O Concílio de Niceia, convocado em 325 d.C. pelo Imperador Constantino, desempenhou um papel decisivo na resolução da controvérsia ariana. O presbítero Ário defendia que o Filho seria uma criatura subordinada ao Pai, e não de Sua mesma substância, negando assim a plena divindade de Cristo.
Em Niceia, a teologia ariana foi formalmente rejeitada. O concílio proclamou que Jesus é “da mesma substância” (homoousios) que o Pai, reafirmando sua plena divindade. Conforme elucidado por teólogos, a decisão conciliar teve como objetivo primordial preservar a unidade doutrinária da fé cristã diante da diversidade de interpretações, consolidando a ortodoxia em torno da divindade de Cristo como “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”.
Até o presente momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre a identidade do indivíduo responsável pela alteração do outdoor, nem sobre a instauração de eventuais investigações ou consequências legais por atos de vandalismo. O episódio continua a reverberar, alimentando discussões e polarizando opiniões nas diversas plataformas digitais.