Às vésperas de uma das maiores festas populares do Brasil, o Carnaval, o pastor William Lourenço Braga, outrora um renomado mestre-sala da tradicional escola de samba Estação Primeira de Mangueira, vem a público emitir um alerta contundente. Baseado em sua jornada pessoal de conversão e em uma experiência mística vivenciada na Marquês de Sapucaí, ele adverte que 'os portais do inferno se abrem' durante o período carnavalesco, instando à vigilância espiritual.
Da Fama Carnavalesca à Busca Espiritual
A trajetória de William Braga é marcada por contrastes. Criado em um ambiente familiar fortemente ligado à feitiçaria no Rio de Janeiro, ele relata ter sido consagrado a mais de quarenta entidades espirituais. Na vida adulta, ascendeu à proeminência como mestre-sala da Mangueira, uma das mais icônicas agremiações do Carnaval carioca, desfilando por palcos internacionais e desfrutando de fama e reconhecimento.
No entanto, a vida de luxo e aplausos escondia um período de intensa turbulência pessoal, incluindo o vício em álcool e cocaína e envolvimento com o tráfico de drogas. Foi durante um episódio de fuga da polícia, enquanto recebia entorpecentes em uma favela, que William se refugiou na casa de um cristão. Ali, deparou-se com uma Bíblia aberta no Evangelho de Marcos 8:34, que diz: 'Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me'.
Apesar do impacto inicial da mensagem, o apelo da vida mundana, com suas viagens, hotéis cinco estrelas e a glória do Carnaval, gerou um dilema interno. Esse conflito se aprofundou à medida que enfrentava situações de risco de vida, que ele interpreta como 'livramentos', e decidia abandonar as práticas ocultistas. Essa decisão, segundo ele, resultou em ameaças de uma entidade demoníaca com a qual mantinha contato.
O Encontro Místico na Sapucaí
O ponto de virada definitivo em sua vida ocorreu em 1990, durante seu último desfile na Marquês de Sapucaí. William Braga relata um encontro sobrenatural: na concentração da Mangueira, sentiu uma 'mão muito gelada' a envolvê-lo, que interpretou como a 'mão da morte'. Em seguida, sentiu outra mão e ouviu uma voz que o confortava: 'Meu servo, não temas que eu sou contigo'.
Durante o ápice do desfile, enquanto dançava, ele testemunhou uma visão de luz intensa e ouviu um louvor. Essa experiência, segundo seu relato, foi acompanhada por uma alegria que superava a euforia do samba e do Carnaval, que ele atribuiu à 'alegria de Deus' invadindo-o. Essa vivência mística culminou em sua transformação e, posteriormente, na decisão de se tornar pastor.
O Alerta para os Dias Atuais
Atualmente, o Pastor William Lourenço Braga, que também atua como capelão e teólogo, dedica-se a pregar sobre a dimensão espiritual do Carnaval. Ele reitera seu aviso de que o período festivo, que se inicia na sexta-feira, é um momento em que 'os portais do inferno se abrem', representando uma vulnerabilidade espiritual.
Em suas pregações, Braga enfatiza a necessidade de 'fechar as brechas' para evitar a influência do 'adversário'. Ele chega a criticar fiéis cristãos que, segundo ele, 'gostam de carnaval e vão ficar na frente da televisão abrindo a sua casa para demônio'. Para o pastor, a verdadeira e duradoura alegria é encontrada apenas em Cristo, contrastando com a 'falsa alegria' do Carnaval, que, em suas palavras, é um 'amor de três dias que passa'.