PUBLICIDADE

Feminicídio Choca Cambuci (RJ): Mulher é Assassina em Igreja por Ex-Companheiro com Medida Protetiva

Portal Impacto Gospel

Jocilerne Oliveira, de 49 anos, foi tragicamente assassinada a tiros na cabeça na última sexta-feira (25) enquanto participava de um culto religioso em uma igreja evangélica na cidade de Cambuci, no interior do Rio de Janeiro. O crime, classificado como feminicídio, foi perpetrado por seu ex-companheiro, que invadiu o templo e efetuou os disparos fatais, mesmo diante da existência de uma medida protetiva que impedia a aproximação do agressor à vítima.

A Polícia Militar, alertada sobre disparos de arma de fogo na Igreja Assembleia de Deus, localizada no bairro Três Irmãos, encontrou a senhora Jocilerne sem vida ao chegar ao local. Em uma rápida resposta, equipes do 36º Batalhão de Polícia Militar (BPM), sediado em Santo Antônio de Pádua, conseguiram localizar e interceptar o suspeito na cidade vizinha de Aperibé. Ele foi detido enquanto conduzia uma motocicleta e, posteriormente, encaminhado à delegacia, onde foi autuado em flagrante pelo delito de feminicídio, com o caso formalmente submetido à Justiça.

A Persistência da Violência de Gênero no Brasil

O feminicídio, tipificado pela Lei nº 13.104/2015 como o assassinato de uma mulher em razão da sua condição de gênero – seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição feminina –, permanece como um flagelo social no Brasil. Os números do Instituto de Segurança Pública (ISP) para o estado do Rio de Janeiro, referentes ao primeiro trimestre de 2024, indicam um aumento de 10,2% nas tentativas de feminicídio, totalizando 97 ocorrências. Contudo, nesse mesmo período, observou-se uma redução de 37% nos casos consumados em comparação com o ano anterior, apesar de a violência contra a mulher continuar em patamares alarmantes.

Vulnerabilidade em Ambientes Religiosos e Barreiras à Denúncia

O trágico evento em Cambuci reacende o debate sobre a complexidade da violência doméstica, inclusive em espaços que, teoricamente, deveriam oferecer refúgio e segurança. Um estudo recente divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em dados de 2023, revela que mais de 42% das mulheres evangélicas já vivenciaram alguma forma de violência doméstica ao longo de suas vidas. A pesquisa ainda aponta que uma em cada quatro mulheres brasileiras foi vítima de agressão física por parte de um parceiro ou ex-parceiro.

Apesar da vasta prevalência da violência de gênero, o relatório do FBSP destaca que quase metade das mulheres (47,4%) que sofrem agressões graves opta por não buscar as autoridades. Curiosamente, uma pequena parcela, cerca de 6% das vítimas, procura apoio e orientação dentro de suas comunidades religiosas. O perfil majoritário das vítimas é de mulheres separadas ou divorciadas, com filhos, na faixa etária entre 25 e 34 anos, frequentemente de etnia preta, com ensino fundamental incompleto e residência em grandes centros urbanos.

O Papel de Líderes Religiosos e o Impacto na Denúncia

Pesquisadores do FBSP alertam que a postura de alguns líderes religiosos pode, de forma não intencional, criar entraves para que as vítimas de violência rompam o ciclo de agressões. Isabella Matosinhos, pesquisadora da instituição, explica que a "mulher é desestimulada a fazer a denúncia, a sair do relacionamento, justamente por causa da sacralidade do matrimônio. Ela é aconselhada a outras coisas, como a resignação e a oração para que o agressor mude seu comportamento. São conselhos que apenas fazem com que a mulher siga na situação de violência", perpetuando um cenário de vulnerabilidade em vez de oferecer o suporte necessário para a proteção da vida.

Leia mais

PUBLICIDADE