Na cidade de Kaili, província de Guizhou, China, seis líderes de uma comunidade cristã foram presos pelas autoridades locais após conduzirem uma Escola Bíblica Dominical (EBD) para crianças. A detenção, que inclui cinco homens e uma mulher, sublinha a intensificação das políticas de controle religioso do governo chinês, levantando sérias preocupações sobre a liberdade de culto no país.
Os indivíduos detidos foram identificados como Wei Yongqiang, He Jinbao, Quan Xiaolong, Long Jian, Cheng Yongbing e Zhou Guixia. Eles são líderes de uma igreja doméstica na região e enfrentam acusações de “organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública” e “fraude” – alegações consideradas infundadas por defensores da liberdade religiosa. De acordo com a ChinaAid, uma organização que monitora a perseguição religiosa, tais acusações têm sido historicamente aplicadas a delitos graves, como roubo e brigas, distanciando-se do contexto de educação religiosa pacífica.
Restrição à Liberdade Religiosa e Reações Internacionais
Ativistas e organizações de direitos humanos têm veementemente condenado as prisões, argumentando que a criminalização da educação religiosa pacífica é uma grave violação dos direitos fundamentais. Bob Fu, presidente da ChinaAid, caracterizou o incidente como uma “escalada profundamente preocupante” da campanha chinesa contra a liberdade religiosa, destacando que a Constituição do país, embora mencione a proteção à crença religiosa, é frequentemente desrespeitada na prática pelo Partido Comunista Chinês (PCC).
Após as detenções, advogados foram contratados para representar os líderes cristãos. Contudo, a Procuradoria da Cidade de Kaili aprovou as prisões sem considerar os pareceres jurídicos apresentados pela defesa, um procedimento que desrespeita as exigências legais chinesas. Os seis permanecem encarcerados, e há apelos da comunidade internacional por orações e monitoramento rigoroso do caso por governos democráticos e entidades de direitos humanos.
Novas Regulamentações e o Cenário para Cristãos na China
Este episódio ocorre em um cenário de crescentes restrições às atividades religiosas na China. No ano passado, o regime comunista introduziu novas regulamentações que visam apertar o controle sobre as práticas de fé, especialmente as cristãs. Publicadas pela Administração Nacional de Assuntos Religiosos em setembro, as diretrizes proíbem a evangelização de menores de idade pela internet e impõem limites rigorosos a retiros e treinamentos para crianças e jovens organizados por igrejas e ministérios.
As novas normas, conforme reportado pelo veículo Bitter Winter, estabelecem que o clero não pode realizar evangelização ou organizar atividades religiosas para jovens. Além disso, exigem que os líderes religiosos endossem as ideias socialistas e apoiem o Partido Comunista Chinês, proibindo qualquer crítica ao governo. A desobediência a essas regulamentações pode resultar em punições administrativas, como a suspensão de credenciais religiosas e o fechamento de contas online, ou até mesmo em investigações criminais.
China no Ranking Global da Perseguição Religiosa
O endurecimento do regime chinês contra as minorias religiosas, incluindo os cristãos, reflete-se em rankings internacionais. A Missão Portas Abertas, por exemplo, classificou a China em 17º lugar na sua Lista Mundial da Perseguição 2026, destacando-a como um dos países mais difíceis para a prática do cristianismo. Este posicionamento ressalta a política contínua de 'sinicização' das religiões, que busca subordinar todas as crenças ao controle e aos valores do PCC.