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Cápsula do Tempo de 1964 Resgatada de Escombros de Igreja Destruída por

 (Photo: Church of Scotland)

Artefato esquecido por quase seis décadas em Cumbernauld oferece um valioso elo com o passado e esperança para uma comunidade em luto após um ato criminoso.

Nos restos calcinados da Igreja de St Mungo, em Cumbernauld, North Lanarkshire, Escócia, uma cápsula do tempo, esquecida por quase seis décadas, foi resgatada meses após um incêndio criminoso ter devastado o emblemático edifício. A descoberta, impulsionada pela memória de membros da comunidade e realizada por empreiteiros que limpavam o local, oferece um raro e significativo elo com o passado da paróquia, trazendo um misto de pesar e esperança para uma congregação profundamente afetada pela perda de seu lar espiritual.

A existência do artefato era uma suspeita antiga entre os habitantes locais, alimentada por relatos da cerimônia de lançamento da pedra fundamental, em 1964. Morag Rusk, secretária da sessão da Paróquia de Trinity de Cumbernauld e ex-membro de St Mungo, desempenhou um papel crucial na sua localização. Após encontrar um programa da cerimônia entre os pertences de sua falecida mãe, e com a confirmação de outro paroquiano que desenterrou um documento similar, Rusk alertou a equipe de demolição. A linha no documento, que indicava a deposição de “um recipiente contendo registros e moedas” nas fundações, guiou a busca que, para a surpresa de todos, culminou com o reencontro da cápsula.

Selada e cuidadosamente enterrada sob a base do edifício em novembro de 1964, a cápsula foi colocada durante a cerimônia de assentamento da pedra fundamental. O evento contou com a presença do General Sir Richard O’Connor, figura notável com um histórico militar distinto, servindo na época como Alto Comissário da Rainha junto à Assembleia Geral da Igreja da Escócia. Este cargo, de natureza cerimonial, é a representação oficial da Coroa Britânica nas reuniões anuais da Igreja Presbiteriana Nacional da Escócia, sublinhando a importância do momento para a comunidade local e para a instituição religiosa.

Dentro do cilindro metálico, que permaneceu hermeticamente fechado por quase 60 anos, foram encontrados exemplares do jornal local “Cumbernauld News” de outubro e novembro de 1964. Dentre eles, uma edição anunciava o falecimento do reverendo Simon Roy MacKintosh, ministro da igreja, apenas cinco dias antes do assentamento da pedra. A cápsula também preservava documentos da Presbytery de Linlithgow e Falkirk — uma unidade administrativa regional da Igreja da Escócia — relativos à edificação, anotações detalhando as concepções iniciais do reverendo para o projeto arquitetônico, a lista de membros da congregação e moedas da época. Outros poucos itens recuperados dos escombros do incêndio incluem algumas peças de comunhão em estanho, que resistiram às chamas.

A abertura da cápsula revelou-se um momento de profunda emoção e comunhão. Em um encontro recente, os membros da comunidade compartilharam a dor persistente pela perda de seu espaço sagrado, ao mesmo tempo em que se regozijavam com a inesperada revelação histórica, vendo no conteúdo do artefato uma ponte tangível para as memórias de gerações passadas.

A Igreja de St Mungo, concebida pelo aclamado arquiteto escocês Alan Reiach, era um edifício marcante em Cumbernauld desde os anos 1960. A localidade, estabelecida como uma “nova cidade” no pós-guerra, valorizava a arquitetura moderna que a St Mungo representava. Com seu distintivo telhado em formato piramidal, a estrutura era classificada como “B-listed”, uma designação que a reconhecia como um imóvel de especial interesse arquitetônico ou histórico na Escócia. Infelizmente, este pilar da comunidade foi consumido por um incêndio devastador em 2 de agosto do ano passado, em um ato que os serviços de emergência confirmaram ser de natureza criminosa. Apesar de não haver feridos, o edifício foi declarado irrecuperável. A Polícia da Escócia mantém a investigação ativa e, até o momento, nenhuma prisão foi efetuada.

A congregação, agora parte da recém-formada Igreja Paroquial de Trinity – uma união em 2024 com outras paróquias locais – tem enfrentado um período de profundo luto. Em uma visita ao local logo após o sinistro, a Reverenda Rosie Frew, Moderadora da Assembleia Geral da Igreja da Escócia, expressou solidariedade, descrevendo a comunidade como “enlutada” e oferecendo o apoio da instituição. Contudo, em meio ao trauma, Morag Rusk confirmou que planos para a construção de um novo e moderno edifício no mesmo terreno já estão em discussão. As conversas com as autoridades municipais e os Administradores Gerais da Igreja da Escócia estão em fase preliminar, com expectativas de que se estendam até 2026. A descoberta da cápsula do tempo, nesse cenário, não apenas reconecta a comunidade com suas raízes, mas também simboliza a resiliência e a busca por reconstruir um futuro sobre as memórias do passado.

Fonte: https://portalimpactogospel.com.br

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