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China Detém Seis Líderes Cristãos por Escola Bíblica Infantil em Escalada da Repressão Religiosa

Imagem ilustrativa. (Unsplash/Rainer Bleek).

Seis líderes cristãos foram detidos pelas autoridades chinesas na cidade de Kaili, província de Guizhou, por organizarem uma Escola Bíblica Dominical para crianças em uma igreja doméstica. O incidente, reportado pela organização de apoio aos cristãos perseguidos ChinaAid, evidencia um agravamento da repressão estatal contra atividades religiosas não oficiais, com ativistas de direitos humanos denunciando as acusações como falsas e um ataque direto à liberdade religiosa.

Os detidos foram identificados como Wei Yongqiang, He Jinbao, Quan Xiaolong, Long Jian, Cheng Yongbing e Zhou Guixia. Eles enfrentam acusações de “organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública” e “fraude”. Segundo especialistas, a primeira acusação é frequentemente aplicada em casos de crimes como lutas ou roubos, levantando questionamentos sobre sua aplicação a reuniões religiosas pacíficas.

A ChinaAid também destacou irregularidades processuais no caso. Apesar de as famílias terem contratado advogados para representá-los, a Procuradoria da Cidade de Kaili teria aprovado as prisões sem considerar os pareceres jurídicos da defesa, contrariando as exigências legais. Os seis líderes religiosos permanecem sob custódia.

Intensificação da Perseguição a Comunidades de Fé

Este episódio insere-se num contexto mais amplo de crescente repressão às atividades religiosas na China, especialmente direcionada ao cristianismo. O governo chinês tem implementado uma política de “sinicização” das religiões, buscando alinhar todas as práticas de fé aos valores socialistas e à ideologia do Partido Comunista Chinês (PCC), controlando rigorosamente as igrejas não registradas, conhecidas como 'igrejas domésticas'.

Bob Fu, presidente da ChinaAid, manifestou-se veementemente contra as prisões, qualificando a criminalização da escola dominical e da partilha pacífica da fé com crianças como um “abuso ultrajante da lei” e um ataque direto aos direitos fundamentais de pais e comunidades religiosas. Ele ressaltou a contradição entre a proteção constitucional da crença religiosa e a perseguição prática a cidadãos cumpridores da lei.

Novas Restrições Legais e Doutrinação Governamental

No ano passado, o regime comunista introduziu novas regulamentações que aprofundaram as restrições às atividades religiosas. Entre as medidas, está a proibição explícita de evangelizar menores de idade e a imposição de limites rigorosos ao conteúdo cristão disponível na internet. As diretrizes, divulgadas pela Administração Nacional de Assuntos Religiosos, impedem que clérigos organizem acampamentos ou treinamentos religiosos para jovens através de plataformas digitais.

Adicionalmente, as novas normas exigem que líderes religiosos apoiem ativamente as ideias socialistas e o Partido Comunista Chinês, proibindo qualquer crítica ao governo. A violação dessas leis pode resultar em sanções administrativas severas, incluindo a suspensão de credenciais religiosas, o encerramento de contas online e a instauração de investigações criminais.

Cenário Global e Apelo Internacional

A situação da liberdade religiosa na China continua a ser motivo de grande preocupação internacional. A Missão Portas Abertas, organização que monitora a perseguição cristã globalmente, classificou a China na 17ª posição em sua Lista Mundial da Perseguição de 2026, indicando um dos ambientes mais hostis para os cristãos no mundo. Bob Fu fez um apelo urgente à comunidade internacional, a governos democráticos e a organizações de direitos humanos para que monitorem de perto este caso e se posicionem contra a opressão de pessoas de fé.

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