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Irã: Cresce para 19 o Número de Cristãos Mortos em Repressão a Protestos Nacionais

Pelo menos 18 cristãos foram mortos durante os protestos no Irã. (Foto: Article 18).

O número de cristãos falecidos durante a violenta repressão do governo iraniano a manifestações anti-regime elevou-se para 19, conforme reportagem da Article 18, uma organização dedicada à monitorização da perseguição religiosa no país. A escalada de mortes ocorre em meio a uma onda de protestos que tem sido brutalmente contida pelas forças de segurança iranianas, levantando preocupações globais sobre direitos humanos e a situação das minorias religiosas.

De acordo com dados apurados pela Article 18, pelo menos 12 indivíduos identificados como cristãos estão entre os milhares de manifestantes mortos. Adicionalmente, Mansour Borji, diretor da Article 18, informou ao periódico Christianity Today sobre a morte de outros sete cristãos pertencentes à comunidade armênia iraniana, elevando o total confirmado. Os protestos, que eclodiram em diversas regiões do Irã, visam desafiar o regime islâmico e reivindicar maiores liberdades civis.

Contexto da Repressão e Estimativa de Vítimas

As manifestações iranianas, que ganharam intensidade em momentos-chave, têm sido marcadas por uma resposta governamental extremamente severa. O portal iraniano Iran International, citando fontes confidenciais e relatórios de campo, divulgou que mais de 36 mil pessoas foram mortas pelas forças do regime aiatolá durante o pico dos confrontos no início de janeiro. Esta cifra alarmante foi corroborada por publicações como a revista Time, que também destacou a escala da violência.

Essas estimativas baseiam-se em uma vasta gama de informações, incluindo documentos sigilosos, testemunhos de profissionais de saúde, relatos de sobreviventes e depoimentos de familiares das vítimas. O período de 8 e 9 de janeiro, em particular, foi descrito como o massacre mais sangrento de civis em protestos de rua, ocorrido em um intervalo de dois dias, na história recente.

Relatos de Casos Individuais e Táticas de Intimidação

Entre as vítimas cristãs da repressão, destacam-se casos que ilustram a brutalidade das forças de segurança. Zahra Arjomandi, uma mãe de 51 anos, foi morta a tiros durante um protesto na ilha de Qeshm em 8 de janeiro. Seu corpo foi retido pelas autoridades por seis dias e liberado sob condições restritivas, proibindo a família de realizar um funeral público e de divulgar informações sobre o ocorrido, segundo o jornal iraniano Mohabat News.

No mesmo dia, em Babol, Nader Mohammadi, de 35 anos, também foi assassinado a tiros em outra manifestação. Sua família empreendeu uma busca de três dias até encontrar seu corpo desfigurado em um necrotério, sendo a identificação possível apenas por marcas corporais pré-existentes. Nader deixou três filhos pequenos.

Mohsen Rashidi, de 42 anos, foi alvejado nas costas em 9 de janeiro, na cidade de Baharestan, província de Isfahan, enquanto tentava resgatar o corpo de um amigo. Ferido gravemente, foi levado a um hospital por outros manifestantes, mas agentes de segurança impediram sua entrada no pronto-socorro, resultando em seu falecimento. Esses incidentes ressaltam o uso desproporcional da força e a negação de socorro médico.

Forças Envolvidas na Repressão

A maioria dos assassinatos documentados foi atribuída ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e à milícia Basij, que atuam em coordenação com o regime. Relatos também indicam a participação de combatentes por procuração, provenientes do Iraque e da Síria, intensificando a capacidade repressiva do Estado iraniano contra sua própria população.

A Situação das Minorias Religiosas no Irã

A comunidade cristã no Irã, uma das várias minorias religiosas reconhecidas, mas frequentemente marginalizadas, enfrenta um ambiente de vigilância e restrições sob a República Islâmica. Embora o Islã xiita seja a religião oficial, o país abriga diversas comunidades religiosas. No entanto, grupos como os cristãos convertidos do Islã são particularmente vulneráveis à perseguição, prisão e, como demonstram esses relatos, à violência letal em contextos de dissidência política e social.

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