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Marco Histórico: Sarah Mullally É a Primeira Mulher a Assumir o Arcebispado de Canterbury

Sarah Mullally é a primeira mulher arcebispa de Canterbury (Foto: Palácio de Lambeth)

Em um evento de grande relevância histórica para a Igreja da Inglaterra, a Reverenda Sarah Mullally foi formalmente empossada como a 106ª Arcebispa de Canterbury. A cerimônia, realizada na Catedral de São Paulo, em Londres, conferiu-lhe o status de primeira mulher a ocupar a mais alta posição espiritual da denominação. Durante a posse, a nova Arcebispa reiterou seu compromisso com o combate à misoginia dentro das esferas eclesiásticas e da sociedade em geral, bem como com o fortalecimento das diretrizes de proteção.

Em suas manifestações iniciais, Mullally, anteriormente Bispa de Londres, fez um relato pessoal sobre experiências de discriminação de gênero, ressaltando a responsabilidade de seu novo cargo para amplificar as vozes dos menos representados. Sua visão inclui a promoção de um ambiente eclesiástico e social mais seguro e acolhedor, no qual a prosperidade seja acessível a todos, livre de preconceitos.

A liderança feminina de Mullally não é isenta de desafios, e ela reconheceu abertamente a resistência por parte de certas facções da Comunhão Anglicana, uma rede global de igrejas. Com uma postura conciliadora, ela expressou compreensão pelas reservas de alguns fiéis e líderes, manifestando o desejo de que o diálogo prevaleça e que as diferentes perspectivas sejam respeitadas e ouvidas.

Um Precedente para a Igreja e a Igualdade de Gênero

A elevação de Sarah Mullally ao Arcebispado de Canterbury representa um ponto de inflexão na história da Igreja da Inglaterra, pondo fim a uma tradição ininterrupta de liderança masculina que se estendia por séculos. Este avanço é emblemático da crescente busca por equidade de gênero no seio das instituições religiosas. O cargo de Arcebispo de Canterbury transcende as fronteiras do Reino Unido, configurando-se como a principal autoridade espiritual da Igreja da Inglaterra e uma figura central para a Comunhão Anglicana, uma rede que congrega dezenas de milhões de fiéis em âmbito mundial. A nomeação de uma mulher para tal posição reflete a evolução de um processo que, nas últimas décadas, permitiu a ordenação de mulheres como diaconisas, sacerdotes e bispas.

Trajetória Profissional e os Desafios Futuros

Antes de dedicar-se à vida clerical e ascender ao episcopado como Bispa de Londres, Sarah Mullally construiu uma distinta carreira na área da saúde, atuando como diretora de enfermagem na Inglaterra. Ela assume a liderança do Arcebispado sucedendo a Justin Welby, cuja gestão foi marcada por severas críticas relativas a deficiências nas políticas de proteção a menores. Ciente do escrutínio público sobre sua própria trajetória, a Arcebispa Mullally reafirmou seu compromisso intransigente com a revisão e aprimoramento das salvaguardas, buscando assegurar máxima transparência e segurança.

A nomeação formal da Arcebispa Mullally, conhecida como entronização, está prevista para 25 de março, na histórica Catedral de Canterbury. Antes disso, no mês de fevereiro, ela estará à frente do Sínodo Geral, um fórum onde temas cruciais serão debatidos. Entre as pautas centrais estão a continuidade da discussão sobre a proteção de menores e a postura da Igreja frente à bênção de uniões homoafetivas, antecipando um período de diálogos significativos sob sua nova liderança.

Ao discorrer sobre seu estilo de liderança, a Arcebispa Sarah invocou um antigo provérbio africano: “Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se você quer ir longe, vá acompanhado.” Essa máxima reflete seu desejo de exercer uma liderança de caráter pastoral, devotada ao cuidado dos membros das paróquias e do clero, e à transmissão de uma mensagem de esperança cristã em um contexto nacional repleto de desafios.

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