Em uma intervenção marcante no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Suíça, o presidente da Argentina, Javier Milei, lançou um forte chamado aos líderes mundiais. O mandatário ultraliberal defendeu que o resgate dos fundamentos da civilização ocidental — a filosofia grega, o direito romano e os valores judaico-cristãos — é crucial para frear o que ele categoriza como uma profunda 'erosão moral' e, consequentemente, assegurar a longevidade e o desenvolvimento do Ocidente.
Conhecido por suas convicções econômicas ultraliberais e por uma postura crítica contundente ao intervencionismo estatal, Milei aproveitou o prestigiado evento que anualmente reúne chefes de Estado, grandes empresários e intelectuais de todo o mundo para apresentar sua visão para o futuro da civilização. Embora sua fala tenha abordado aspectos econômicos, o presidente argentino dedicou uma parcela significativa do seu tempo à dimensão moral e espiritual da crise contemporânea, um traço distintivo de sua retórica política.
A Urgência dos Pilares Civilizacionais
Na visão de Milei, o afastamento desses princípios históricos tem gerado um profundo vazio ético na sociedade ocidental, criando um ambiente propício para a ascensão de ideologias que, em sua análise, pavimentam o caminho para a injustiça, a miséria e a restrição das liberdades individuais. Ele argumentou que a eficácia das políticas públicas está intrinsecamente ligada a uma base ética robusta. O presidente citou pensadores liberais e economistas da Escola Austríaca para reforçar a ideia de que não existe conflito entre eficiência econômica e moralidade, postulando que os valores judaico-cristãos, em particular, fornecem o alicerce essencial para a justiça, o respeito à vida, à liberdade e à propriedade. A filosofia grega, com seu legado na razão e na busca da verdade, e o direito romano, que estabeleceu as bases de sistemas jurídicos justos, são igualmente apontados como imprescindíveis na construção de uma sociedade livre e próspera.
Críticas Contundentes ao Socialismo e o Alerta Venezuelano
O líder argentino reiterou sua forte oposição ao socialismo, sistema que, embora se mostre atraente na teoria, invariavelmente culmina em resultados prejudiciais e autoritários. Para ilustrar seu ponto, Milei fez menção à grave crise da Venezuela, classificando o regime como uma 'narcoditadura' e atribuindo o colapso econômico e social do país ao abandono sistemático de princípios morais e de liberdade. Segundo sua argumentação, a priorização de agendas ideológicas em detrimento de valores éticos não apenas provoca falhas econômicas catastróficas, mas também compromete a coesão social e a própria continuidade da civilização ocidental.
Uma Visão Otimista: A América Latina como Farol de Liberdade
Apesar das advertências severas, Milei concluiu sua fala com uma perspectiva de otimismo. Ele sugeriu que o mundo está passando por um processo de 'despertar', evidenciado pelo ressurgimento das ideias de liberdade, especialmente notável no continente americano. O presidente argentino expressou a convicção de que as Américas têm o potencial de reassumir um papel de 'farol de luz' para o mundo, reacendendo o Ocidente e cumprindo sua 'dívida civilizacional' ao honrar novamente suas raízes na filosofia grega, no direito romano e nos valores judaico-cristãos, vislumbrando um futuro mais promissor com o restabelecimento desses ideais fundamentais.