A missão evangélica “Aviva Universitário” foi formalmente denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) devido à realização de cultos com estudantes nas dependências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Lucas Teodoro, evangelista e líder do movimento que promove encontros em diversas universidades brasileiras, confirmou ter recebido uma intimação do MPF para prestar esclarecimentos. Teodoro alega que a denúncia categoriza o grupo como uma “organização criminosa”, levantando um debate sobre a liberdade de expressão religiosa em ambientes acadêmicos públicos.
Contestação e Defesa da Missão
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lucas Teodoro expressou perplexidade com a acusação, enfatizando que os encontros são reuniões voluntárias de universitários, desprovidas de qualquer formalidade ou estrutura sonora, focadas em oração e arrependimento. Ele refutou veementemente a classificação de seu grupo como uma “organização criminosa”, defendendo que os participantes aderem espontaneamente aos cultos, exercendo sua fé de maneira pacífica e consensual dentro do campus.
Laicidade Versus Liberdade Religiosa em Universidades Públicas
O incidente reacende a discussão acerca da conciliação entre o princípio da laicidade do Estado e a garantia constitucional da liberdade religiosa em instituições de ensino públicas federais. Embora a Constituição assegure a liberdade de crença e o livre exercício de cultos religiosos, a neutralidade do Estado em matéria religiosa nas universidades visa assegurar um ambiente plural e inclusivo para toda a comunidade acadêmica.
Teodoro criticou o que percebe como uma disparidade no tratamento de diferentes manifestações dentro da universidade. Ele citou exemplos de pichações com mensagens anti-religiosas e a divulgação de eventos de calouros que satirizavam figuras políticas, questionando por que tais expressões não geram denúncias ou escrutínio semelhantes aos encontros religiosos. Segundo o líder, essa seletividade demonstra uma forma de intolerância contra a fé cristã.
Repercussão e Compromisso Futuro
A vereadora de Porto Alegre, Mariana Lescano, manifestou solidariedade à missão “Aviva Universitário” através de suas redes sociais, questionando a criminalização da oração em ambientes universitários. Lescano relembrou que um culto do mesmo grupo foi impedido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no ano anterior, ocasião em que ela e outro vereador apresentaram uma denúncia ao MPF por intolerância religiosa, a qual, segundo ela, não obteve progresso. Ela salientou que o MPF não demonstrou o mesmo empenho para investigar invasões de prédios universitários por grupos de estudantes.
Lucas Teodoro ainda argumentou sobre a historicidade das universidades, muitas das quais tiveram origens cristãs, para reforçar a legitimidade da presença da fé no ambiente acadêmico. Ele reiterou que a missão “Aviva Universitário” continuará a levar a mensagem evangélica às universidades, enfatizando que seu propósito é espiritual, desvinculado de movimentos políticos, e focado no amor de Cristo, inclusive para aqueles que os denunciaram.