Uma empresária de 56 anos de Ubá, Minas Gerais, viveu momentos de terror e superação na última segunda-feira (23) ao ser arrastada por uma forte enchente e sobreviver por mais de três horas agarrada a um poste. Edna Almeida Silva conseguiu se salvar e viu seu filho ser resgatado, mas a tragédia pessoal se aprofunda com o desaparecimento de seu namorado, Luciano Franklin Fernandes, 50, e a completa destruição de seu negócio.
O drama começou quando a água invadiu rapidamente as residências locais após intensas chuvas. Edna, que estava em casa com o filho e o companheiro, foi alertada por vizinhos sobre a elevação do nível da água. "Eu levantei meio atordoada e fui na janela da sala para olhar a rua. Realmente a rua já devia estar com uns 30 centímetros de água", relatou ela à Record TV. As tentativas de salvar os veículos da garagem foram em vão, pois os motores já haviam sido comprometidos. Isolados, a família tentou contatar os serviços de emergência, como o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, porém, o avanço implacável da enchente tornou o resgate imediato inviável, sublinhando os desafios enfrentados pelas autoridades em eventos de tal magnitude.
A Dramática Luta contra a Correnteza
A situação se agravou em questão de minutos, transformando a casa em uma armadilha, e Edna, que não sabe nadar, foi arrastada pela impetuosa correnteza. "Em poucos minutos, a água chegou ao meu pescoço. Nessa hora eu pensei: Meu Deus, eu não sei nadar. Tampei o nariz com a mão e falei ‘Senhor, não me deixa morrer afogada’", lembrou Edna, visivelmente emocionada. Em meio ao caos, ela conseguiu se agarrar a um objeto sólido. "Eu sentia que eu batia em uma coisa, batia em outra. E, de repente, eu senti uma coisa redonda na minha frente e abracei. Eu pensei: Isso é um poste, eu não estou dentro da minha casa", descreveu, detalhando a desesperadora transição do lar para o meio da enxurrada.
Enquanto a força da água continuava a castigar a região, com carros, motos e destroços sendo arrastados, Edna se esforçava para se manter no poste, usando "garranchos" e detritos que se acumulavam como apoio para elevar-se. "A correnteza estava muito forte e água muito alta", afirmou. Desesperada, ela orou por forças para não ceder, quase atingindo a rede elétrica. Em um momento de pânico e esperança, avistou seu filho também em apuros, agarrado a um portão, e clamou a Deus pela vida dele.
O Resgate e a Tragédia Pessoal
O filho de Edna foi o primeiro a ser resgatado, um alívio momentâneo para a mãe em meio à provação. Pouco depois, após mais de três horas de luta exaustiva, um vizinho lançou uma corda para Edna, renovando sua esperança. "Coloquei debaixo do braço e comecei a sentir esperança", relembrou. Com a diminuição do nível da água, ela conseguiu tocar o chão e ser resgatada. No entanto, o alívio foi misturado à dor: seu namorado, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, foi levado pela correnteza e, até o momento, permanece desaparecido, intensificando a angústia da família e ressaltando os impactos muitas vezes irreversíveis de eventos climáticos extremos.
Além da perda imensurável de seu companheiro, Edna enfrenta a devastação material. Seu restaurante, que empregava cinco famílias, foi completamente destruído pela enchente. "Eu tenho cinco famílias empregadas, eu não sei como, mas vou tentar começar tudo de novo", disse ela, em lágrimas, demonstrando uma notável resiliência frente à catástrofe que a atingiu pessoal e profissionalmente. A enchente em Ubá se soma a uma série de eventos climáticos severos que têm provocado estragos em diversas regiões de Minas Gerais, gerando alertas sobre a necessidade de maior preparo e infraestrutura.
Fé e Gratidão Diante da Devastação
Apesar de toda a dor e perdas, a empresária expressou profunda gratidão pela própria vida e pela do filho. "Eu agradeço muito a Deus, porque foi Ele quem me salvou, Ele me pôs naquele poste, senão eu não estaria aqui", testemunhou. Em entrevista posterior ao G1, Edna reafirmou a importância de sua fé: "Foi um milagre, minha fé me salvou. E dentro do possível eu estou tentando me recuperar. Ontem eu já consegui jantar um pouquinho, hoje eu consegui tomar um cafezinho", concluindo com um vislumbre de esperança e a difícil jornada de recuperação que se inicia para ela e muitos outros afetados pela enchente.