Uma pesquisa recém-divulgada pelo PoderData neste domingo (1º) revela um cenário de crescente oposição à legalização do aborto no Brasil. O levantamento, realizado no final de janeiro de 2026, indica que uma expressiva maioria de <b>68% dos brasileiros se posiciona contrária à medida</b>. Este percentual representa o nível mais elevado de rejeição desde que a questão foi incorporada à série histórica da pesquisa, em janeiro de 2021, e reforça a persistência de um conservadorismo social marcante no país.
Os dados apontam para um aumento de dois pontos percentuais na taxa de oposição em apenas um ano. Em contraste, o grupo favorável à liberação do aborto soma <b>22% dos entrevistados</b>, percentual que se manteve relativamente estável, com uma variação de apenas um ponto em relação a janeiro de 2025, dentro da margem de erro. Cerca de 10% dos participantes não souberam ou preferiram não emitir opinião sobre o tema.
Análise por Perfis Demográficos
A pesquisa do PoderData oferece uma visão detalhada das diferentes posturas sociais, segmentando os resultados por perfil demográfico e regional. Entre aqueles que demonstram maior apoio à legalização do aborto, destacam-se os idosos, com 25% de aprovação; os moradores da Região Norte, que apresentam 27% de adesão; e indivíduos com nível de ensino fundamental, com 26% de posicionamentos favoráveis.
Em contrapartida, a rejeição ao aborto é particularmente elevada na Região Sul do país, onde 74% dos entrevistados se declaram contra a liberação. De modo similar, pessoas com renda superior a cinco salários mínimos formam um grupo com alta taxa de oposição, com 72% manifestando-se contrários à legalização. Essas disparidades geográficas e socioeconômicas sublinham a complexa interação entre fatores culturais, religiosos e econômicos na formação da opinião pública brasileira sobre o tema.
O Aborto e as Preferências Eleitorais
O levantamento também explorou a relação entre a posição sobre o aborto e a escolha de voto no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, revelando que a oposição ao procedimento transcende as tradicionais clivagens políticas.
Entre os eleitores do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 65% se declaram contra a legalização do aborto, enquanto 27% se dizem favoráveis. Já entre aqueles que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a rejeição é ainda mais pronunciada, atingindo 73%, com apenas 16% demonstrando apoio à medida. Esses dados sugerem que o debate sobre o aborto é uma questão que divide eleitorados em diferentes campos ideológicos, indicando um consenso de oposição que atravessa grande parte do espectro político.
A Legislação Brasileira Atual sobre Aborto
No contexto jurídico brasileiro, o aborto é considerado crime, exceto em três situações específicas, conforme o Código Penal de 1940 e a interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF). A interrupção da gravidez é permitida quando decorrente de estupro, quando há risco de vida para a gestante, e em casos de anencefalia fetal, condição reconhecida pelo STF em 2012. Fora desses critérios estabelecidos, a prática é ilegal. A legislação vigente não define expressamente um limite máximo de semanas de gestação para a realização do procedimento nos casos em que ele é legalmente autorizado.
O Impasse no Supremo Tribunal Federal
A discussão sobre a descriminalização do aborto também se desenrola no Supremo Tribunal Federal, onde tramita uma ação que propõe a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana. O julgamento teve início em setembro de 2023, com o voto favorável da então relatora. Contudo, o processo foi interrompido por um pedido de destaque, permanecendo paralisado por mais de dois anos.
Em outubro de 2025, um novo voto foi proferido, acompanhando o entendimento da relatora e elevando o placar provisório para 2 a 0. No entanto, um segundo pedido de destaque resultou em uma nova suspensão do julgamento, mantendo o caso sem uma conclusão definitiva. Este cenário de idas e vindas no STF reflete a profunda complexidade e a intensa polarização social e política que o tema do aborto suscita no Brasil.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa do PoderData entrevistou 2.500 indivíduos com 16 anos ou mais, abrangendo 111 municípios nas 27 unidades federativas do Brasil. Os levantamentos foram conduzidos por telefone, entre 24 e 26 de janeiro de 2026, utilizando um sistema automatizado para as perguntas e respostas. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A metodologia incluiu ponderação estatística para garantir a representatividade da amostra em variáveis como sexo, idade, escolaridade, região e renda. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do PoderData, que integra o grupo Poder360 Jornalismo.