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Paquistão: Minorias Religiosas Clamam por Liberdade e Reforma Constitucional em Protestos Nacionais

Portal Impacto Gospel

Milhares de membros da comunidade cristã e outras minorias religiosas no Paquistão protagonizaram uma série de manifestações coordenadas em diversas cidades do país na última terça-feira, 11 de agosto. Os protestos, que coincidiram com o Dia Nacional das Minorias, foram um clamor veemente por igualdade de direitos, o fim da perseguição e da discriminação baseada na fé, e a garantia de plena liberdade religiosa, destacando a contínua vulnerabilidade desses grupos em uma nação predominantemente muçulmana.

As mobilizações ocorreram simultaneamente em importantes centros urbanos, incluindo Karachi, Faisalabad e Lahore. Em Karachi, a maior metrópole paquistanesa, mais de dois mil manifestantes concentraram-se no histórico mausoléu de Muhammad Ali Jinnah, o fundador do Paquistão. Participantes da “Marcha pelos Direitos das Minorias”, eles exibiram cartazes com mensagens incisivas como "Minha religião, minha vontade" e fotografias de indivíduos que foram vítimas de linchamentos, conversões forçadas e ataques. Os manifestantes evocaram a visão original de Jinnah para o Paquistão, expressa em seu discurso de 11 de agosto de 1947, onde ele afirmou a liberdade de culto para todos, um ideal que, segundo os ativistas, diverge drasticamente da realidade atual. Luke Victor, um dos organizadores, enfatizou à EWTN News que a juventude está determinada a "conquistar nossa liberdade".

Demandas por Reformas Constitucionais e Proteção Legal

Durante os atos públicos, oradores exigiram o fim imediato da discriminação religiosa e do extremismo violento que frequentemente assola as minorias. Uma das pautas centrais é a reforma da Constituição paquistanesa para permitir que cidadãos de outras religiões possam ascender a cargos públicos de alta patente, como o de presidente ou primeiro-ministro. Atualmente, a Constituição paquistanesa, notadamente nos artigos 41(2) e 91(3), reserva essas posições exclusivamente a muçulmanos, alinhando-se ao Artigo 2 que declara o Islã como religião de Estado.

Os organizadores da Marcha pelos Direitos das Minorias apresentaram um documento detalhando onze propostas de mudanças para fortalecer os direitos dessas comunidades. Entre as solicitações cruciais estão a garantia de maior representação política, a reforma de currículos educacionais para promover a inclusão e o respeito à diversidade, a proteção de propriedades e locais de culto, e a implementação de medidas rigorosas contra o abuso das controversas leis de blasfêmia, que são frequentemente instrumentalizadas para perseguir minorias e instigar violência. Adicionalmente, foi solicitada a criação de comissões autônomas dedicadas exclusivamente aos direitos das minorias.

Na cidade de Faisalabad, sob a liderança do advogado cristão Akmal Bhatti, os participantes destacaram a necessidade premente de proibir a conversão forçada de menores e de assegurar uma cota de 5% para minorias em serviços públicos e instituições educacionais, reforçando a urgência de uma Comissão Nacional de Direitos das Minorias.

O Cenário da Perseguição Religiosa e a Vulnerabilidade das Minorias

O Paquistão, onde aproximadamente 96% da população professa a fé islâmica, é consistentemente classificado como um dos países mais desafiadores para a prática do cristianismo, ocupando a 8ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela organização Portas Abertas. No entanto, a perseguição não se restringe aos cristãos; ela se estende a outras comunidades minoritárias como hindus, sikhs, ahmadis (que são oficialmente declarados não-muçulmanos pelo Estado), bahá’ís, zoroastrianos, budistas e os seguidores da fé indígena Kalash. Todos esses grupos enfrentam um clima de medo e insegurança crescentes, marcado pelo aumento da violência, ataques e discriminação social e legal.

O Legado de Shahbaz Bhatti e a Origem do Dia Nacional das Minorias

O Dia Nacional das Minorias, comemorado em 11 de agosto, foi instituído em 2009 em memória de Shahbaz Bhatti. Ele foi o primeiro ministro federal católico do Paquistão e uma voz incansável na defesa da liberdade religiosa e dos direitos das minorias em um ambiente muitas vezes hostil. Tragicamente, Bhatti foi assassinado em março de 2011, em frente à sua residência, por indivíduos armados que o classificaram como um "infiel cristão", devido à sua oposição pública às leis de blasfêmia.

Seu sacrifício transformou-se em um poderoso símbolo da luta e dos riscos enfrentados pelas comunidades minoritárias que buscam coexistência pacífica e a garantia de direitos fundamentais no Paquistão, reforçando a importância dos protestos e demandas por um futuro mais inclusivo.

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