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Repressão Religiosa na China: Autoridades Invadem Igreja Doméstica e Proíbem Cânticos Cristãos

A operação na igreja chinesa. (Foto: Reprodução/ChinaAid)

Autoridades chinesas conduziram uma incursão em uma igreja doméstica não registrada na província central de Anhui, nos dias 16 e 17 de setembro. Durante a operação, fiéis foram instruídos a não entoar hinos que fizessem menção a "Jesus", "Deus" ou "Senhor", sendo compelidos a substituí-los por canções que glorificassem o Partido Comunista Chinês. O incidente, reportado pela organização de direitos humanos ChinaAid, destaca a crescente repressão à liberdade religiosa no país.

A ação repressiva ocorreu no condado de Jinzhai, onde policiais e oficiais locais revistaram o local de reunião dos cristãos e confiscaram telefones celulares dos presentes. No primeiro dia da operação, aproximadamente 30 agentes, liderados por Wang Xianjie, chefe da delegacia de Youfangdian, participaram da fiscalização. Durante a intervenção, alguns membros da congregação tiveram seus movimentos restritos e foram impedidos de acessar instalações sanitárias.

Duas pregadoras foram detidas e levadas à delegacia para interrogatório. Uma delas, Zhang Yuanfeng, ficou sob confinamento domiciliar por quatro dias, até 20 de setembro. A ChinaAid informou que uma das mulheres teria sofrido uma lesão na mão durante seu transporte. As autoridades também questionaram exaustivamente sobre parentes das pregadoras, os pastores Zhang Yuanlai, que reside em Nova Jersey, EUA, e Zhang Huijun, que já atuou em diversas regiões da China, buscando detalhes sobre suas atividades e informações de contato.

No dia seguinte, 17 de setembro, uma nova equipe de agentes retornou ao local, onde encontraram jovens ensaiando para futuros cultos. A proibição de tocar ou cantar músicas que contivessem referências a figuras divinas cristãs foi reiterada. De acordo com fontes, os oficiais alegaram que a ordem emanava de uma "Equipe Central de Inspeção" e tinha como meta desmantelar as atividades de igrejas domésticas na região. Houve, ainda, ameaças de vigilância diária contra os pregadores envolvidos.

A Política de 'Chinesificação' da Religião

A ação em Jinzhai é emblemática de uma política mais ampla de controle estatal sobre grupos religiosos não oficiais na China. Sob a liderança do Presidente Xi Jinping, o governo chinês tem intensificado as restrições a práticas religiosas não sancionadas pelo Estado, promovendo a "chinesificação da religião". Esta diretriz busca adaptar as doutrinas e rituais religiosos aos valores socialistas e à ideologia do Partido Comunista Chinês, garantindo a lealdade ao governo acima da fé.

Dr. Bob Fu, fundador da ChinaAid, declarou que "quando autoridades governamentais começam a decidir quem os cristãos podem adorar e o que podem cantar, a chamada 'chinesificação da religião' já se tornou uma ferramenta política para forçar as igrejas a se submeterem à ideologia do Partido Comunista." O cerne da questão reside na tentativa de subordinar a fé individual ao controle partidário, distorcendo o princípio constitucional de liberdade religiosa.

Contexto Histórico de Repressão em Jinzhai

A região de Jinzhai possui uma longa história de atividade de igrejas cristãs independentes, com mais de quatro décadas de existência. O movimento teve início em 1981, com o pregador Zhang Yongsheng, conhecido localmente como o "Paulo das Montanhas Dabie", que estabeleceu centenas de locais de reunião clandestinos nas comunidades montanhosas. Apesar de seu falecimento em 2014, seus cinco filhos continuaram seu legado ministerial, sendo quatro na China e um nos Estados Unidos.

Historicamente, os cristãos de Jinzhai enfrentaram perseguições severas. A ChinaAid documenta uma invasão em 1993, na qual um fiel perdeu a vida ao tentar proteger outros congregados, e outro ficou permanentemente cego após ser esfaqueado. Além disso, as autoridades já expulsaram alunos de escolas e impuseram punições públicas devido à sua fé religiosa, demonstrando um padrão de intolerância.

Diante do agravamento das restrições às igrejas não registradas, a ChinaAid apelou às autoridades chinesas para que cessem a perseguição e a vigilância de cristãos e suas famílias. A organização também solicitou uma investigação imparcial sobre os relatos de violência por parte das forças de segurança e instou o governo a respeitar o direito fundamental à liberdade religiosa, que, embora garantido pela Constituição chinesa, é frequentemente desconsiderado na prática.

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