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Violência Étnico-Religiosa na Nigéria: Nove Cristãos Mortos em Kaduna e o Agravamento da Crise no Norte

A Nigéria é o país com maior índice de violência contra cristãos na Lista Mundial da Perseg...

Nove indivíduos de fé cristã perderam a vida e outros onze ficaram feridos em um ataque brutal ocorrido na noite da última terça-feira, no estado de Kaduna, localizado na região norte da Nigéria. Moradores locais atribuem a autoria da investida a homens armados, supostamente pastores de etnia Fulani, reacendendo o debate sobre a escalada da violência sectária e as complexas disputas por terras que assolam o país.

A ação violenta teve como alvo a comunidade de Angwa Magaji, situada na ala de Kamaru, no condado de Kauru. Conforme depoimentos de habitantes, como Barnabas Chawai, os agressores invadiram a aldeia durante o período noturno, resultando nas mortes e nos ferimentos.

Contexto da Escalada de Violência e Disputas por Terras

Líderes cristãos nigerianos reiteram que ataques perpetrados por facções de pastores Fulani contra comunidades cristãs na região central do país são frequentemente motivados pela tentativa de anexar terras e expandir a influência islâmica. A intensificação da desertificação, um fenômeno climático que dificulta a criação de rebanhos, agrava as tensões e intensifica a luta por recursos e território.

Relatórios recentes indicam que milícias extremistas ligadas a grupos Fulani têm sistematicamente atacado comunidades agrícolas, predominantemente cristãs, na região Centro-Norte da Nigéria. Esses incidentes já causaram a morte de centenas de pessoas, evidenciando um padrão de perseguição que se estende por diversos estados.

Grupos Jihadistas e a Ideologia Radical

Além das milícias Fulani, grupos jihadistas conhecidos, como o Boko Haram e o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), mantêm uma forte presença nos estados do norte do país. Nessas áreas, a autoridade do governo federal é notadamente limitada, criando um vácuo de poder que permite a proliferação de ataques, violência sexual, assassinatos em bloqueios de estradas e sequestros para fins de resgate – uma prática que tem aumentado exponencialmente nos últimos anos.

A etnia Fulani, predominantemente muçulmana e composta por milhões de indivíduos em toda a Nigéria e no Sahel, é formada por uma vasta rede de clãs. Embora a maioria não adere a visões extremistas, um relatório de 2020 do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Crença do Reino Unido (APPG) observou que alguns grupos adotaram uma ideologia islâmica radical. Segundo o documento, estes grupos demonstram uma clara intenção de atacar cristãos e símbolos importantes de sua identidade, utilizando estratégias comparáveis às de organizações como o Boko Haram e o ISWAP.

Nigéria: Epicentro da Perseguição Cristã Global

A Nigéria figura como um dos países mais perigosos para cristãos, ocupando a 7ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026, compilada pela organização Portas Abertas. No último período de monitoramento (1º de outubro de 2024 a 30 de setembro de 2025), o país registrou o maior número de cristãos mortos por causa da fé em todo o mundo, com 3.490 vítimas, representando 72% do total global de 4.849 assassinatos, um aumento em relação ao ano anterior.

A violência, antes concentrada no norte e centro, tem se expandido para os estados do sul da Nigéria, indicando uma deterioração generalizada da segurança. O relatório também destaca a emergência do Lakurawa, um novo grupo terrorista no noroeste, descrito como uma organização armada com equipamento sofisticado e uma agenda islâmica radical, que mantém laços com o Jama'a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin (JNIM), um grupo afiliado à Al-Qaeda com raízes no Mali.

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