O Pastor William Lourenço Braga, que outrora desfilou como mestre-sala da icônica escola de samba Estação Primeira de Mangueira, veio a público para compartilhar seu profundo testemunho de conversão e lançar um aviso contundente sobre as ramificações espirituais do Carnaval. Em uma recente transmissão ao vivo, o ex-carnavalesco descreveu uma jornada pessoal que o conduziu do epicentro dos festejos da Marquês de Sapucaí para uma vida dedicada à fé, culminando em uma perspectiva singular sobre os riscos metafísicos que, em sua visão teológica, a festividade acarreta.
Braga, hoje atuando como capelão e teólogo, afirmou categoricamente que a 'verdadeira alegria só é encontrada em Cristo'. Ele alertou para a necessidade de 'fechar as brechas' durante o período carnavalesco, referindo-se à crença de que 'os portais do inferno se abrem' nesses dias, conforme a sua interpretação das escrituras.
A Trajetória Antes da Conversão
Criado em um ambiente familiar intensamente ligado a práticas de feitiçaria na cidade do Rio de Janeiro, William Lourenço Braga relatou ter sido consagrado a dezenas de entidades espirituais desde a infância. Na vida adulta, ele ascendeu à notoriedade como mestre-sala da Mangueira, uma das figuras mais emblemáticas e visíveis nos desfiles de samba, cuja função é a de conduzir o pavilhão da escola com graça e destreza ao lado da porta-bandeira. Seu sucesso e talento o levaram a se apresentar internacionalmente, desfrutando de reconhecimento e status.
Apesar da ascensão no mundo do samba, Braga imergiu em um estilo de vida que ele próprio classifica como 'mundano', enfrentando vícios em álcool e diversas substâncias ilícitas, além de um envolvimento com o tráfico de drogas. Esse período foi marcado por uma série de 'livramentos de morte', experiências que, segundo ele, foram sinais premonitórios de um chamado divino.
O Ponto de Virada: Encontros com a Fé
O início de sua transformação ocorreu durante um episódio peculiar. Ao buscar cocaína em uma favela, a súbita chegada da polícia o obrigou a buscar refúgio na residência de um cristão. Nesse local inesperado, ele se deparou com uma Bíblia aberta no versículo de Marcos 8:34, que proclama: 'Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me'. Embora profundamente impactado pela mensagem bíblica, o carnavalesco confessou a relutância inicial em abandonar o luxo, a fama e o reconhecimento que havia conquistado.
Sua eventual decisão de se afastar das religiões ocultistas que praticava, após múltiplos avisos e supostas experiências sobrenaturais, resultou em uma ameaça direta de uma entidade com a qual ele alegava manter contato, que prometeu sua morte caso rompesse o pacto.
A Experiência Transformadora na Sapucaí
O momento decisivo e culminante de sua conversão ocorreu em 1990, durante o que seria seu último desfile de Carnaval. Na concentração da Mangueira, na famosa Marquês de Sapucaí, William relata ter sentido 'uma mão muito gelada' que ele interpretou como a 'mão da morte'. Contudo, antes que pudesse ceder ao pânico ou fugir, uma 'outra mão' o tocou e uma voz lhe disse claramente: 'Meu servo, não temas que eu sou contigo'.
No decorrer do desfile, uma visão de luz intensa e um cântico espiritual, que ele descreve como um 'louvor', o invadiram. Ele afirma ter experimentado uma 'alegria de Deus' que contrastava vivamente com a euforia efêmera do samba e da festividade. Após essa vivência espiritual profunda, William Lourenço Braga sentiu-se completamente transformado e liberto, um evento que pavimentou seu caminho para o ministério pastoral.
O Alerta Espiritual e a Crítica ao Carnaval
Atualmente, em sua função de pastor, capelão e teólogo, William Lourenço Braga dedica-se a alertar publicamente sobre o que considera ser a 'realidade espiritual' subjacente ao Carnaval. Ele sustenta que a celebração, que se inicia na sexta-feira que antecede o feriado, é um período em que 'os portais do inferno se abrem', exigindo vigilância e o 'fechamento de brechas espirituais' para evitar influências negativas.
O pastor também dirigiu críticas incisivas aos fiéis cristãos que, em sua perspectiva, se expõem ou interagem com o Carnaval. 'Tem crente que gosta de carnaval e vai ficar na frente da televisão abrindo a sua casa para demônio', declarou. Para Braga, a alegria proporcionada pelo Carnaval é 'falsa' e intrinsecamente passageira, contrastando-a de forma veemente com a 'verdadeira liberdade' e o contentamento perene que, segundo ele, são encontrados exclusivamente na fé cristã.