Ex-padre copta ganha notoriedade global ao questionar ensinamentos corânicos, gerando acusações de proselitismo e relatos de milhões de conversões, em meio a crescentes ameaças.
Zakaria Botros, um proeminente líder cristão copta originário do Egito e ex-padre da Igreja Ortodoxa Copta, emergiu como uma figura de intensa controvérsia e alcançou notória visibilidade no mundo islâmico. Suas pregações e debates públicos, que questionam abertamente os ensinamentos do Alcorão e promovem o Evangelho de Jesus Cristo, visando a conversão de muçulmanos, levaram-no a ser rotulado como o “inimigo público número um do Islã” pelo jornal árabe al-Insan al-Jadid. Essa abordagem tem gerado significativa oposição, relatos de milhões de conversões ao cristianismo e colocado Botros sob constante ameaça de retaliação.
Utilizando plataformas de mídia como programas de televisão via satélite e vídeos online, Botros alcança uma vasta audiência global. Suas análises e críticas ao Islã concentram-se em interpretações específicas de textos religiosos e na figura do profeta Maomé. Tal abordagem é frequentemente percebida como uma afronta direta por muitos muçulmanos e pela mídia islâmica, culminando na designação atribuída pelo al-Insan al-Jadid.
Apesar de as estatísticas exatas sobre as conversões serem notoriamente difíceis de verificar de forma independente e frequentemente suscitarem debates, tanto seus apoiadores quanto a própria mídia que o critica frequentemente destacam o impacto de sua mensagem. Há relatos substanciais de que a influência de Botros teria levado milhões de muçulmanos a se converterem ao cristianismo. A comunidade copta, à qual Botros pertence, representa uma das mais antigas comunidades cristãs no Oriente Médio, vivendo há séculos como minoria no Egito de maioria muçulmana.
A natureza de seu trabalho posiciona Botros em uma situação de alta vulnerabilidade, sob ameaça constante de retaliação. Em muitas regiões onde o Islã é predominante, a conversão de muçulmanos para outra fé é considerada apostasia — a renúncia pública de uma religião — e pode acarretar sérias consequências legais, sociais e pessoais, incluindo pena de morte em alguns contextos. A situação de Zakaria Botros é um reflexo contundente da complexa teia de relações inter-religiosas no Oriente Médio e da crescente polarização em torno de questões de fé e proselitismo em um cenário global.