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Saúde do Ex-Presidente Bolsonaro Volta a Preocupar e Impulsiona Pedido de Prisão Domiciliar Humanitária

Presidente Jair Bolsonaro abraça o bispo Robson Rodovalho (Foto: Arquivo Pessoal)

A saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a ser motivo de preocupação após um recente episódio de crise hipertensiva e soluços persistentes em sua cela na Papudinha, unidade de custódia da Polícia Militar do Distrito Federal. A situação, atestada por uma visita pastoral do Pastor Robson Rodovalho, reacende o debate em torno do pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O líder religioso, fundador da Igreja Sara Nossa Terra, descreveu o ex-mandatário como 'assustado' pelos sintomas manifestados na véspera do encontro. Embora os soluços estivessem mais controlados no momento da visita, Rodovalho relatou que um pico de pressão arterial ocorreu durante a prática de atividades físicas na unidade prisional, mantendo o nível de apreensão sobre o quadro geral do ex-presidente.

Jair Bolsonaro encontra-se detido na Papudinha desde 15 de janeiro, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações sobre a alegada tentativa de golpe de Estado. Inicialmente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o fisioterapeuta do ex-presidente haviam afirmado a estabilização de seu quadro clínico, atribuindo os sintomas a fadiga. Contudo, os recentes acontecimentos indicam uma possível deterioração que contradiz essa avaliação prévia.

O requerimento de prisão domiciliar, formalizado pela defesa em 11 de fevereiro junto ao ministro Alexandre de Moraes, argumenta a 'progressiva deterioração do quadro clínico' de Bolsonaro e os riscos inerentes à sua permanência em ambiente carcerário. O Pastor Rodovalho endossou essa argumentação, sublinhando a necessidade de 'cuidados médicos e emocionais' em sua residência para a adequada recuperação e fortalecimento psicológico do ex-presidente.

Para fundamentar o pleito, a defesa anexou um laudo da perícia médica da Polícia Federal e dois pareceres técnicos elaborados pelo médico Cláudio Birolini. Estes documentos salientam a urgência de uma avaliação aprofundada dos 'sintomas neurológicos' apresentados pelo ex-presidente e a incompatibilidade de seu estado de saúde com as condições do local de detenção.

Detalhes do Quadro Clínico Complexo

O ex-presidente, transferido para a Papudinha em janeiro, apresenta um histórico médico de multimorbidade grave. Esta condição abrange diversas patologias diagnosticadas, como hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais. A coexistência de múltiplas doenças crônicas exige um acompanhamento médico especializado e contínuo, demandando uma infraestrutura de saúde que, segundo a defesa, não está disponível na unidade prisional.

Estrutura Prisional em Debate

A argumentação da defesa enfatiza que manter Bolsonaro sob custódia na Papudinha, mesmo com a adoção de medidas paliativas, representa um 'incremento injustificável do risco à vida' do ex-presidente. É apontada a inexistência de um ambulatório médico próprio no 19º Batalhão, onde a unidade de custódia está localizada. A necessidade de um médico em regime de rodízio, operando como uma espécie de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, é apresentada como evidência das limitações estruturais para atender a um paciente com um quadro de saúde tão complexo e com múltiplas comorbidades, intensificando a pressão sobre as autoridades judiciais para uma reavaliação do local de detenção.

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